2 sendo 1 – pensamentos fragmentados

Em alguns dias, eu e o Pedro faremos 2 anos de casado. Por um lado, passou rápido. Por outro, parece que sempre estive casada com ele.
Casamento é como um intensificador da vida – os momentos bons são os melhores, e os ruins são os piores também. Já falei aqui sobre como meu primeiro verão com o Pedro foi difícil para mim. Ele nunca percebeu. Eu não tinha que fingir para agradar o Pedro, mas eu sabia que eu não podia ser levada como uma onda, para cima e para baixo, pela minh’alma. Então, todo nosso amor, companheirismo, afeto foram cultivados no único solo que permite que eles cresçam: o compromisso.
Eu tinha decidido ser o tipo de mulher que o faria “bem, e não mal, todos os dias da sua vida”. (Provérbios 31:12) Deus sabe quantos dias eu falhei. Eu também sei. Não foram poucos. Mas o compromisso de todo dia deixar claro meu amor (aquele que, minha mãe repetiu isso toda vida na minha cabeça, é prático), minha lealdade, minha dedicação permaneceu. A partir do momento que eu assumi um compromisso com ele, essa se

tornou minha prioridade.


“A ação não vem de um pensamento, e sim de uma prontidão à responsabilidade.” (Dietrich Bonhoeffer)
Engraçado pensar que assumi a responsabilidade de ser esposa. Parece grande demais, pesada demais, gloriosa demais para mim. Mas “pela graça de Deus, sou o que sou. E sua graça para comigo não foi inútil”. Caminhar com o Pedro é, para mim, uma graça sublime. E a cada dia procuro não fazer da graça de Deus inútil. Esse caminhar tem que produzir frutos eternos, não pode ser improdutivo.
Nosso casamento tem suas peculiaridades, e nem me refiro ao trabalho do Pedro, ou a qualquer circunstância. Mas um bom tempo antes de conhecer o Pedro, eu lavava um banheiro da minha casa orando, e pedi ao Senhor pelo meu casamento. O Senhor me falou que eu viveria uma grande história de amor, onde nem eu e nem meu marido seríamos os protagonistas, senão exclusivamente Ele.
Assim tem sido esses últimos dois anos. Muitas vezes nos sentimos coadjuvantes de nossas próprias vidas, vemos decisões e direcionamentos estando completamente fora de nossas mãos, e a gente sendo levado daqui para lá de forma suave, mas irrecusável. A gente ri e brinca e parece legal, mas nem sempre é. A perda do protagonismo vem com sua pontada de dor, aquela sensação de estar sendo levado para viver algo que você não sabe bem se é capaz de encarar ou não. Raramente sou. Mas aí lembro que sou só coadjuvante.

Não é o amor que sustenta seu casamento, mas a partir de agora, o casamento sustenta o seu amor.” (Dietrich Bonhoeffer)
Tempos antes de o Pedro entrar na minha vida, eu já tinha aprendido: meus sentimentos servem para serem governados, e não para me governar. Mas como me relacionar com ele, e ainda mais, ser casada com ele tornou essa teoria uma prática! Parece pouco romântico, mas nada pode ser mais distante da verdade…esse é o amor verdadeiro! É como Jesus disse em João 10, “Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai.” (versículos 17,18) Em Cristo, tenho a autoridade de dar a minha vida por livre espontânea vontade. Ela não me domina mais. O casamento nunca me aprisionou, muito pelo contrário, me tornou ainda mais livre para abrir mão.

“No seu amor, você vê apenas o céu de sua própria felicidade, mas no casamento, você é colocado em um posto de responsabilidade em relação ao mundo e a humanidade. Seu amor é uma posse privada, mas casamento é mais do que algo pessoal – é um estado, um ofício. Assim como é a coroa, e não só a vontade de governar, que faz o rei, então é o casamento, e não só o seu amor um pelo outro, que os tornam um perante Deus e os homens.” (Dietrich Bonhoeffer)
Ao meu marido,
Muito obrigada por assumir comigo essa responsabilidade. Continuo sem entender o motivo de ter me escolhido e admirada de tudo que você é. Seu amor, seu carinho, sua paciência sem fim comigo, com meus erros, minhas limitações e até os meus acertos (que as vezes me tornam mais insuportável do que os erros) me constrangem. Nosso amor se torna cada vez mais nosso, só nosso. E o resto é cada vez menos nosso. Gosto de cada pedacinho de você, da gente, do nosso, dos outros. Sou loucamente apaixonada por você, até nos dias que não sou. Que sorte a minha – ser amada por você! Nada nesse mundo me fez tão feliz, e me tornou tão mais eu, do que ser uma com você. Te amo.
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