a educação é vida

Esse texto faz parte de uma série sobre a filosofia de ensino de Charlotte Mason. Cada mês, postarei um resumo de um capítulo do livro “When Children Love to Learn: A Practical Application of Charlotte Mason’s Philosophy for Today”. O capítulo de hoje foi escrito por Maryellen St. Cyr.


“O que nos interessa não é preparar nossos filhos para um futuro vago. A educação não é uma vida futura; é a vida agora.” (página 112)

A filosofia de ensino Charlotte Mason é extremamente prática, mas isso não a impede de ter suas raízes profundas. Cada passo dado, exige uma reavaliação daquilo que cremos e daquilo que aplicamos. O fundamento da educação CM é claro:

“Cremos que toda educação é divina, que todo bom dom de conhecimento e visão vem de cima, que o Espírito Santo, é o educador supremo da humanidade, e que o culminar de toda a educação (que pode ser alcançado por uma pequena criança) é esse conhecimento pessoal e essa intimidade com Deus em que nosso ser encontra sua perfeição plena.” (página 101)

A primeira vista, um método educacional com uma base tão sólida e tão estabelecida pode parecer restritivo, mas o ensino Charlotte Mason é o contrário disto. Ao observar escolas de ensino CM, “as crianças estavam envolvidas no estudo da Bíblia, literatura, Shakespeare e poesia, ciência e estudo da natureza, compositores musicais, estudo de imagem, cidadania, história e geografia, e a prática da gramática e escrita inglesa, matemática, teoria da música e canto, ditado e repetição, escrita, desenho e artesanato, leitura, língua estrangeira e latim, educação física e trabalho real.” (página 104)

A educação CM é rica em ideias, e ressalta a importância do acesso a elas:

“- As ideias são as iniciadoras de hábitos de pensamento e hábitos de ação.
– As ideias são de origem espiritual e Deus nos fez para que nós as obtenhamos principalmente enquanto as transmitimos um ao outro.
– As ideias são os conceitos vivos que sustentam, dão sentido e conectam um pensamento a outro. ” (página 101)

Ao dizer que a educação é viva, é vida, o ensino CM se posiciona contra a compartimentalização da educação. “Este princípio não é uma estreita compartimentação de fatos em uma área e a vida em outra, mas um rico entrelaçamento de ideias, experiências e conhecimento que leva, enfim, à maneira como todos nós, como indivíduos, vivemos nossas vidas.” (página 100)

A ideia de que a educação é vida muda absolutamente tudo. O educador vai precisar se avaliar e reavaliar constantemente, em suas práticas e também suas bases. “As práticas são manifestações de crenças – crenças que o educador tem sobre a natureza do aprendiz, o papel do professor e a natureza do conhecimento. Este trabalho de reforma não é um único ato no pensamento investigativo, mas um inquérito contínuo sobre as crenças expressas na sala de aula através de várias escolhas em relação a livros, atividades, metodologia e recursos.” (página 104)

Mas como é essa tão falada vida na prática?

Uma das coisas para qual CM nos chama mais atenção é nossa tendência de dar as crianças informações digeridas. “As crianças devem ser colocadas em contato com mentes originais, não um texto que tenha sido diluído ou mastigado ou servido em pedaços pequenos. Livros da mais alta qualidade literária são adequadamente escolhidos para apresentar uma mente a outra.” (página 104)

Precisamos entender que a criança tem sim capacidade de entender e interagir com informações ricas – ” Deixe as crianças se alimentarem do bom, do excelente, do grandioso.” (página 110) O trabalho do educador é apresentá-la ideias – e não processá-las por ela. ” As crianças lidam com ideias de forma fácil e confortável quando recebem o suporte adequado.” (página 102)

Ao processar informações para nossos pequenos, fazemos um grande desfavor a educação deles, pois “as crianças devem ser ensinadas, à medida que se tornam maduras o suficiente para entender esse ensino, que a principal responsabilidade que reside nelas como pessoas é a aceitação ou a rejeição de ideias.” (página 102) Sem contato com ideias, sem experiência em lidar com elas, como saberão quais aceitar ou rejeitar?

“As crianças devem ser colocadas em contato com mentes originais, não um texto que tenha sido diluído ou mastigado ou servido em pedaços pequenos. Livros da mais alta qualidade literária são adequadamente escolhidos para apresentar uma mente a outra.” (página 104) Não se preocupe se as crianças vão reagir e interagir com a informação de formas distintas: “Todos os alunos participavam do banquete preparado diante deles – alguns generosamente, outros menos.” (página 105)

“A maioria dos educadores aceitaria imediatamente que o objetivo deles é que os alunos saibam. Como já dissemos, este é o trabalho da mente e não do educador. O trabalho do educador é colocar a criança no caminho do conhecimento, fornecendo um caminho vivo através de um pensamento digno e trabalho digno.” (página 110)

“Charlotte Mason afirmou que uma pessoa, uma professora, não deve depreciar o ofício do ensino ou ter uma visão estreita da criança. O professor deprecia seu ofício quando faz o trabalho de aprender para a criança, preparando lições que foram diluídas, mastigadas e não têm pensamentos.” (página 109)

Na prática, o ensino CM valoriza o processo de aprendizado e não seu resultado (como a educação convencional faz): “Uma vez que envolvemos o aluno em um sistema de obtenção de resultados em vez de obtenção de conhecimento para entender e fazer sentido da vida, o método e os meios de educação assumem facilmente valores competitivos focados em terminar primeiro e obter as melhores notas. A ênfase passa do processo para o produto.” (página 110)

“A mente trabalhando tem uma atividade tripla. Presta atenção; reflete; e usa o que foi apreendido. (…) Entre a atenção inicial dada e a expressão final, no entanto, está todo um mundo de pensamento…” (página 102)

O processo é um todo, é vivo, é orgânico: “Assim, como um meio no processo de aprendizagem, os fatos são revestidos de ideias. Os fatos são ensinados em relação a uma grande quantidade de pensamentos e integrados em um corpo de conhecimento (parte de um todo). O aprendiz assimila esse conhecimento quando é reproduzido ou tem conexão significativa.” (página 102)

Isso não quer dizer que o educador está ali para ser decorativo…as aulas devem ser muito bem planejadas! “As aulas despreparadas vagam sem rumo e são dirigidas pelo relógio, as tangentes e perguntas não relacionadas ao assunto. (…)

As lições preparadas têm objetivos em mente (conteúdo e/ou desempenho), perguntas a serem feitas, ideias a serem discutidas, habilidades a serem introduzidas ou reforçadas e simpatias a serem adquiridas.” (página 111)

Temos aqui, disponível em PDF, 3 planos de aula diferentes. Ao analisa-los, podemos ver essas características na prática da sala de aula. Ao elaborar uma lição, devemos nos perguntar:
“A lição:
– fornece material para o crescimento mental?
– exerce vários poderes da mente?
– fornece ideias frutíferas?
– possui conhecimentos valiosos, precisos e interessantes?” (página 105)

Note que “o formato dessas lições são indicativos da filosofia de que o aluno é ativo, não passivo e assume a responsabilidade pela sua aprendizagem.” (página 109)

A riqueza e a grandiosidade da educação CM tem uma firme direção: “Nosso Senhor falou de ‘vida abundante’.” (página 112) O processo de aprendizado é divino e deve ser abundante em ideias, em alegrias, em atenção, em entusiasmo…em suma, deve ser abundante em vida.


“Uma manhã em que a criança não recebeu uma nova ideia foi certamente uma manhã desperdiçada.” (página 100)

Planos de Aula – Ensino Charlotte Mason

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4 thoughts on “a educação é vida

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  1. Amei, amei e amei…
    Parece inacreditável… mas era tudo o que eu procurava… eu acredito na providência Divina e creio de todo o coração que o Senhor foi quem me conduzi até seu blog…

    Que o Senhor te abençoe muito, muito, muito!!!
    …não tenho nem como agradecer…

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      1. Amém… ^.^’ … e agora de férias da facul vou ter mais tempo para estudá-los bem! =D Que o Senhor continue a te abençoar e inspirar… Grande abraço!!!

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