a tradução perfeita.

Hoje pela tarde, falava com uma amiga sobre as formas que entendemos e sentimos individualmente.
Mencionei a forma fantástica que Deus tem para se comunicar com cada um dentro daquilo que a pessoa precisa e o que seguiu em meu coração foi um turbilhão de informações vindo à tona, transbordando e se derramando em lágrimas e sorrisos.
Deus fala conosco. E isso em si já é fantástico. Mas o que sempre me impactou, e inclusive é uma das minhas características prediletas do Senhor é a forma como Ele o faz. Deus é infinitamente sábio a ponto de escolher a melhor forma de tratar cada um.
Uma das minhas histórias prediletas do Velho Testamento (que eu já mencionei por aqui, possivelmente mais de uma vez) é quando Elias foge de Jezabel e é direcionado ao monte para que Deus fale com ele.
“E eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada. E ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa” 1 Reis 19:11-13
Um Deus que controla o vento (Marcos 4:39), um Deus que estremece a terra (Mateus 27:50), um Deus que é em si fogo consumidor (Hebreus 12:29). E que naquela hora, optou por ser uma voz mansa e delicada mas tão poderosa que ao ouvi-la, era impossível pensar que ela pertenceria a outra pessoa.
E então, vem Jesus.
E em João 11, ao chegar na casa de Lázaro com ele já morto, Marta vem até Jesus e diz, “Senhor, se você tivesse aqui, meu irmão não teria morrido.” Jesus vira para ela e a ensina, a ministra. Ele é a ressurreição e a vida. Quando Maria diz a mesma coisa, com outro coração, Jesus chora.
E que texto perfeito! Um Deus, pleno e perfeito em forma de homem se dilacerando e se expressando de uma forma tão humana e tão visceral sua perfeita compaixão para que todos entendam que Ele não está ali só para ver, ensinar, falar, mas também para sentir, sofrer e se compadecer. (Hebreus 4:15)
Na faculdade, quando estudamos tradução, aprendemos sobre um conceito chamado “invisibilidade do tradutor”. Nessa teoria, a tradução ‘ideal’ é aquela que funciona como um vidro limpo e cristalino mostrando perfeitamente o que há do outro lado. Se tiver uma marquinha sequer, fica aparente que é uma tradução, que é ‘imperfeita’ e de certa forma, o texto perde seu poder.
Mas até nisso Cristo é a plenitude da divindade. (Colossenses 2:9) Ele é a tradução perfeita. Nessa tradução não há defeito, não há mancha (1 Pedro 1:19). Ele é a imagem exata do Deus invisível (Colossenses 1:15), e reflete com perfeição um Deus onde não há sombra de variação. (Tiago 1:17)
E assim, através do Espírito Santo, Jesus se traduz para mim a cada hora. Quando eu me deito para dormir e estou sozinha no silêncio, Ele se esconde na escuridão e me envolve em segurança e paz.  Quando eu tenho que almoçar sozinha, Ele me faz companhia. Quando sou pecado, me redime. Quando peco, me perdoa. Quando eu clamo ao Senhor por misericórdia, eu sei que Ele pode não me tirar dali, mas que Ele irá me sustentar até o fim. Quando eu choro, eu sei. Cristo chora comigo. E em cada minuto, cada necessidade, cada momento, Cristo se traduz e se mostra abundância de vida.
Que privilégio! Pegar a Bíblia com a minha mão e saber que, apesar de universal, cada palavra ali fala comigo, individualmente, nas profundezas daquilo que sou. Ver a essência de Deus, tão além daquilo que posso compreender, traduzida em palavras, gestos, consolos tão simples.
Eu, tradutora limitada que sou, não consigo colocar em palavras como meu coração exultou hoje, como esse entendimento brotou no fundo do meu espírito e inundou minh’alma. Como me alegrei, como chorei, como agradeci por me relacionar com um Deus tão singular, tão perfeito. Mas sei bem que, tradutor perfeito que Ele é, é capaz de comunicar a mesma alegria e louvor a cada coração em seu momento devido. Que estejamos atentos e ansiosos, sempre, por cada manifestação única da graça, do amor, do poder, da soberania do nosso Deus, perfeito em tudo que faz.
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