pêndulos e fotos

Esse texto é parte do prefácio do livro “Casamento Temporário” de John Piper. Foi escrito por Noel Piper, sua esposa. Eu li e traduzi esse texto em 2013, bem antes de casar. Na época, eu entendia, mas não sentia o texto. Mas casamento é isto: a teoria é bonita e se converte na prática, que é difícil. Eu lembro desse texto cada vez que meu pêndulo vai para um extremo e hoje quis compartilhá-lo porque de tudo que li sobre casamento, acho que essas palavras foram as minhas prediletas.


Eu conheço alguns casais que pensam e sentem de forma tão parecida que eles conseguem trabalhar juntos, servir juntos, viver juntos e criar filho juntos praticamente sem conflitos. Bom, podem existir casais assim. Mas nós não somos um deles.
Quando fazemos análises de personalidade, nós estamos sempre em lados exatamente opostos. De acordo com Ruth Bell Graham, isso é bom. Ela é famosa por dizer que se duas pessoas concordam em tudo, uma delas é desnecessária. Mas existem horas que eu estaria mais do que disposta a não ser necessária.
Na vida real, eu fico entre dois extremos. Em um extremo do pêndulo, eu fico maravilhada: “Como foi que eu consegui um marido tão maravilhoso? O que eu fiz para que ele sequer notasse minha existência, quanto mais me pedisse para casar com ele?”. Nós fizemos um balanço do nosso casamento durante um dos meus períodos de satisfação. Os resultados indicaram que eu estava com um alto índice de idealismo, reconhecendo pouquíssimos problemas em nosso casamento – em outras palavras, de acordo com “especialistas”, um resultado um tanto quanto duvidoso.
Em algum lugar desse extremo era aonde queria que permanecêssemos, onde não há nada para impedir a nossa alegria um no outro – como em uma de nossas férias nas montanhas Blue Ridge:

Distante
Lendo em uma cadeira de balançar,
Borboletas e ursos pretos,
Musgo e cogumelos,
Fotos e poemas,
Música e balanço,
Pica-paus trabalhando,
Adoração e caminhar,
Tempo para conversar,
Jogos e sono…
Um silêncio para me manter.
Com você.

Em contraste, quando a inércia e resistência nos arrastam para baixo, eu fico me perguntando, “Como nos metemos em tamanha cilada? O que aconteceu com a gente, para nos sentirmos tão destoantes e infelizes?” Nós passamos nossas bodas de prata durante uma época assim:

Investindo no Ouro
Que belo jeito de nos preparar para a nossa festa –
foi você que me machucou ou eu a você?
Nossos sorrisos estavam forçados demais para parecer vívidos –
uma máscara com a qual já estávamos acostumados.
“Que os próximos 25 sejam tão bom quanto
os primeiros!” eles diziam com abraços e sorrisos,
enquanto eu cogitava uma desculpa
que adotaria após sair correndo.
Mas eu sabia que iria ficar. Como poderia fugir
daquele que me conhece, e ainda me ama tanto assim?
E aí Beryl, que já há 60 anos estava com Arnold,
descongelou meu coração com propriedade.
‘Os anos que estão a caminho serão os melhores;
os 25 primeiros são os mais difíceis.’ ”

Já que aparentemente eu não consigo ver muita coisa além das emoções do momento, se fizéssemos uma avaliação do nosso casamento durante essas épocas difíceis, provavelmente indicaria um casamento em perigo, um julgamento tão enganoso quanto o idealismo dos dias de “está tudo lindo no mundo”.
O pêndulo do nosso casamento oscila e às vezes balança, mas ele é suspenso do alto e está firme. Pela graça de Deus, não vai cair no chão. Este ano comemoramos 40 anos de casamento, e graças a Deus, nós estamos jubilosos e vamos firmes atrás das nossas bodas de ouro, se Deus for gracioso e nos der tantos anos.
Nós sabemos que é o peso do nosso pecado que intensifica esses tempos difíceis. Mas aqui está a coisa maravilhosa, incrível – um mistério profundo, como diria Paulo: “Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. ( …) eu falo em referência a Cristo e à igreja.” Casamento refere a Cristo e a Igreja – todo casamento, não importa quanto oscilar devido ao pecado; todo casamento, mesmo que eles não se importem com Jesus.
Para mudar metáforas, Deus designou o casamento para ser como uma foto. Isso faz com que me pergunte, quão clara e bem definida está a imagem de Cristo que o nosso casamento está demonstrando?
Eu amo usar minha pequena câmera digital. Mas quanto maior e mais complexo for a imagem, mais difícil fica para eu representá-lo bem e completamente. Não há foto que consiga mostrar quão magnífico é o Grand Canyon. É verdade que minhas falhas como fotógrafa não diminuem em nada a majestade daquela beleza natural. Mesmo assim, algumas fotos dão uma ideia melhor de sua grandeza do que outras. Eu quero essa imagem mais clara do Grand Canyon. E é esse tipo de imagem de Jesus que eu quero que nosso casamento demonstre.

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