o aprendizado é uma atmosfera

Esse texto faz parte de uma série sobre a filosofia de ensino de Charlotte Mason. Cada mês, postarei um resumo de um capítulo do livro “When Children Love to Learn: A Practical Application of Charlotte Mason’s Philosophy for Today”. O capítulo de hoje foi escrito por Bobby Scott.


“A educação é uma atmosfera, uma disciplina, e uma vida.” Charlotte Mason chamou essa de “talvez a definição mais completa e adequada da educação que possuímos.” Ela considerou a declaração “profunda e bela” no sentido de que cobria três pontos de vista concebíveis sobre a educação, ao seu ver:

1. Subjetiva (espiritual): Educação é uma vida.
2 – Objetiva (fisiológica): Educação é uma disciplina.
3 – Relativa (relacional): A educação é uma atmosfera.

O último destes pontos, embora normalmente expresso em primeiro lugar na sua lista, na verdade encontra sua ênfase no ambiente das relações da criança – a Deus, seus pais, seu professor, seus colegas, sua aprendizagem, e si mesmo.” (P 71)

Essa atmosfera depende diretamente do entendimento do educador sobre a preciosidade que é participar na educação de uma criança. “É claro que a relação do educador com as crianças é a primeira e mais importante condição atmosférica.” (P 73)

É importante ressaltar que essa atmosfera tem um impacto enorme na formação da criança. “A atmosfera em que uma criança compõe suas ideias inconscientes sobre o viver emana de seus pais. Cada olhar de ternura e tom de reverência, cada palavra de bondade e ato de ajuda, passa para o ambiente do pensamento, a própria atmosfera que a criança respira; ele não pensa nessas coisas, pode nunca pensar nelas, mas toda a sua vida despertará aquela vaga tendência… para as coisas sórdidas ou coisas lindas, coisas terrenas ou divinas.” (P 72)

“A cultura, a sociedade, as informações e os ambientes de crianças mudam, mas o desejo das crianças para conhecer e aprender não. Por quê? Porque eles são pessoas criadas à imagem de um Deus que é imutável. “(P 75) Charlotte Mason tinha em mente a enorme responsabilidade, não apenas social, mas espiritual que era contribuir para a formação de um ser humano. Ela escreveu, “As ideias que despertam a vida vêm de cima; a mente da criança é um campo aberto, com terra fértil, onde a cada manhã, o semeador sai para semear e a semente é a Palavra. Todo o nosso ensino de crianças deve ser dado com reverência, com o entendimento humilde que somos convidados nesta matéria a cooperar com o Espírito Santo; mas deve ser dada obedientemente e diligentemente com a sensação horrível que a nossa cooperação parece ser uma condição da ação divina; que o Salvador do mundo pede a nós “permita que as crianças pequenas venham até mim” como se tivéssemos o poder de impedir, como sabemos que temos.” (P 74)

E então, temos dicas práticas de como cultivar essa atmosfera, que tem que ser construída no seu dia-a-dia. Começamos com condições que não cooperam com o aprendizado:

Condições Inadequadas

Invasão da personalidade da criança através de barreiras psicológicas

O uso do moralismo
Moralismo, uma prática aparentemente inofensiva, é na verdade um gás nocivo para a compreensão de uma criança de Deus e da verdade. Meu exemplo favorito é o uso indevido de João 6: 1-15, a história de Jesus alimentando a 5.000. Em um livro de histórias que li aos nossos professores em formação, os autores focam no menino precioso que voluntariamente “compartilha” seu almoço de cinco pães e dois peixes com Jesus, que por sua vez alimenta todos. O livro termina com a advertência: “Jesus ama quando nós compartilhamos com os outros.”
Então, há um problema neste ensino? O dividir não é ensinado aqui? As respostas são um retumbante sim e um enfático não! Sim, há um grande dano quando a verdade de um texto é manipulada para forçar uma lição nas mentes das crianças. A prática não tem integridade. Não, dividir não é ensinado nesta passagem.
Mas um dano maior do que forçar uma moral sobre um texto pode ocorrer. Crianças são dirigidas pelo autor a se concentrarem em ações humanas e não no poder de Cristo. No longo prazo, uma dieta desse tipo de “pão” produz um estudante que se define pelo que ele faz, em vez de quem ele é. Assim, esta barreira impede uma verdadeira compreensão do evangelho. (P 75-76)

O uso da culpa
Respostas erradas para ações ou atitudes dos estudantes podem variar de um comentário aparentemente inofensivo, como “Estou tão decepcionado com você” até “Bem, eu acho que não deveria ensinar mais se isso é o melhor que você consegue fazer!”
Não se deve concluir que dar um incentivo verbal a criança deve ser evitado para que a criança não seja motivada apenas por agradar (ou desagradar) seu professor. Mas, como diz Eva Anderson, devemos evitar louvor que é “exagerado” e pedir sabedoria para ver quando uma criança deseja fazer o certo, porque é a coisa certa a fazer, ou deseja fazer o certo apenas para ganhar a aprovação ou afeição do outro. (P 76-77)

O Uso da Competição
Essas práticas que envolvem a competição de classes inteiras, assim como aquelas onde os alunos individuais competem entre si são devastadoras para um ambiente escolar saudável. Como um subproduto de recompensar um certo tipo de sucesso, se produzem orgulho, motivação egocêntrica, e um grande desânimo entre os “perdedores”. (P 77)

O uso de Comparação
A ausência de quatro práticas tóxicas – concorrência, prêmios e notas, estresse, e comparação – purificou o ar para a aprendizagem. (P 77)
Como em uma família onde os pais são tentados a dizer: “Por que não é responsável como sua irmã?” ou “Seu pai sempre teve excelentes notas!”… Estes comentários e atitudes podem criar uma atmosfera onde as crianças ou se esforçam para melhorar pelo motivo errado ou gradualmente desistem em desânimo. (P 78)

O uso excessivo de Testes e Avaliação
Então, queremos dizer que as escolas não devem ser avaliadas ou inspecionadas? Não, mas elas não devem ser julgadas com base em apenas provas e testes. (P 79)

Após o teste, e daí? Após a aula, o que vem depois? (p 79)

Qualquer tentativa de reduzir ou supervalorizar o potencial ou importância de uma criança

As limitações da educação clássica
As atmosferas educacionais que reduzem o aprendizado a apenas fatos para memorizar produzem tédio e a necessidade de empregar incentivos tangíveis, tais como doces, adesivos e notas. (P 80)

Os perigos de uma educação centrada na criança
(…) Temos supervalorizado a auto-estima das crianças, a ponto deles não aprenderem respeito, responsabilidade, e desenvoltura. (P 80)

A fraqueza de uma educação centrada no professor
(…) É o papel do professor sair do caminho. O professor é o mestre por planejar a aula, ter disponíveis todos os recursos necessários, em seguida, habilmente orientar o fluxo. (…) Nunca há dúvida sobre sua autoridade, mas ela nunca se deixa ficar no caminho do aprendizado. Ela está inativa no sentido de que ela deixa a curiosidade e interesse natural dos alunos seguir seu curso dentro dos limites da discussão. Ela (…) não se considera a única fonte de informação dos alunos. (P 81)

É possível ler tudo isso e se desesperar ao perceber que fez muito daquilo que Charlotte Mason desaconselha. “No entanto, o nosso é um ministério não de desespero, mas de esperança.” (P 72) Nossa esperança, em tudo que fazemos deve estar sempre no Senhor. “Antes de nos martirizar com os nossos fracassos do passado, é bom lembrar que temos um Deus que entende nossas fraquezas, redime nossas falhas, e pode fazer um jardim da nossa bagunça.” (P 75)

As condições adequadas
Uma estrutura e rotina pensada para o bem das crianças

As melhores horas para lições
(…) As crianças funcionam melhor e dão melhor atenção para a aprendizagem nas horas da manhã. (…) [Charlotte Mason] escreveu: “Na manhã, depois do café, é certamente o melhor momento para aulas e todo o tipo de trabalho mental; Se toda a tarde não pode ser dedicada a recreação externa, que se use o tempo para tarefas mecânicas, tais como bordado, desenho e outras práticas. “(p 82)

Tempo para brincadeiras livres e barulhentas do lado de fora
“Brincadeiras saudáveis e vigorosas são, por sua vez, tão importantes quanto as lições, tanto no que diz respeito a saúde do corpo e quanto do cérebro.” (P 82)
(…) Ela rejeitou a pressão de ter brincadeiras direcionadas e ensinou que as crianças devem participar em brincadeiras livres. Elas devem ser autorizadas a correr e gritar e ser tão barulhentas quanto quisessem. (P 83)

Uma atmosfera “que ninguém se onerou para produzir”
Passeios, atividades escolares e rotinas diárias podem tornar-se o ambiente para o crescimento das crianças, se os pais e os professores não ampliarem seus papéis indevidamente. A atmosfera é produzida “por pessoas e coisas, agitada pelos acontecimentos, adoçada com amor, ventilada, sempre em movimento pela ação regulamentada de bom senso”. (p 83)

Um programa acadêmico planejado para o bem das crianças
Os quatro testes para se aplicar as suas lições
Charlotte Mason deu esses testes para serem aplicados ao conteúdo que as crianças recebem:
– Fornecer material para o seu crescimento mental
– Exercitar as várias potências de suas mentes
– Fornecer-lhes ideias frutíferas (em vez de bocados de informação)
– Dar-lhes conhecimento realmente valioso em si, preciso e interessante, do tipo que a criança pode lembrar quando for adulta com ganho e prazer (p 84)

Crianças recebendo o trabalho certo para o seu nível de desenvolvimento
“Existe o perigo; mas não está em dar a criança coisa demais, e sim em lhe dar a coisa errada para fazer, o tipo de trabalho para o qual o estado atual de seu desenvolvimento mental não se encaixa. “(p 84)

Crianças com autonomia, mas sob a autoridade adequada
(…) Assim como as crianças percebem que os adultos respondem às suas autoridades (policiais, empregadores, funcionários do governo, e Deus), elas irão fazer o mesmo. (P 84)
A submissão humilde para aprender, juntamente com as crianças e dar às crianças permissão para trabalharem do seu próprio jeito com as ideias que recebem é fundamental para a atmosfera. No entanto, esta abordagem não implica que as crianças estão soltas, sem limites. É precisamente porque as crianças sabem quem é o responsável e respeitam essa autoridade que a atmosfera é saudável. (P 84-85)

Um espaço de aprendizado agradável aos olhos produzido por causa das crianças
(…) Há algumas coisas que os professores podem fazer para afetar significativamente a atmosfera de ensino dentro de suas próprias limitações. Algumas delas podem incluir:
– Tocar músicas bonitas durante o tempo de reflexão ou de trabalho silencioso.
– Deixar de lado um lugar para a criança relaxar enquanto lê um livro ou outra atividade que não precise de mesa.
– Expor belos trabalhos de crianças que mostraram diligência e boa execução.
– Encontrar cópias baratas de algumas obras de arte para exibir com bom gosto.
– Conseguir animais para serem animais de estimação – e plantas e flores se a luz solar for adequada.
– Ajudar a criança a desenvolver o hábito de manter seu espaço arrumado e limpo.
– Incutir, sempre que possível, uma sensação de posse e responsabilidade sobre seu espaço que promova a boa gestão de tudo que Deus deu aos Seus filhos.
– Exigir que se mostre respeito pela propriedade dos outros, bem como uma reverência com os livros.
– Ter disponível o máximo de livros possível.
– Deixar que as crianças ajudem a criar exposições educacionais animadas para tornar o espaço um lugar inspirador para visitar.
– Convidar os pais e amigos para eventos especiais (peças de teatro, recitais de poesia, etc.) com as crianças responsáveis pela hospitalidade, servindo suas visitas, e criando um ambiente caloroso. (P 85-86)

Permeando tudo isso, uma brisa gentil de bom humor
Todas as belas exibições, os livros vivos, e as metodologias adequadas ainda podem ser estagnadas sem a alegria do coração que vem de almas alegres. (P 86)

créditos da imagem

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