eles não vão estar aqui para sempre

Eu gosto muito de traduzir. É algo que mistura várias coisas que amo: leitura, interpretação de texto, escrita. Todo texto me traz informações novas, desafios novos. Sou grata por poder fazer algo que me dá tanto prazer.

Final do ano passado, decidi que queria fazer uma pós-graduação em tradução. Pesquisei, olhei, vi minhas opções e estava bem animada. Mas, antes de me matricular, fui orar. Tinha meses antes de começar a turma nova e sabia que o Senhor iria me direcionar.

Algumas semanas depois, estava em meio a uma maratona de hospedagens e compromissos e pensei: “Como vou dar conta desse tanto de gente entrando, ficando e saindo daqui de casa e fazer essa pós?!” Comentei com uma amiga que estava hospedada aqui em casa e ela falou, “É, mas você tem que se lembrar: essa oportunidade pode ser só agora…os outros vão sempre estar por aí.” Eu concordei, realmente, as pessoas vão estar sempre por aí…

Mas dias depois, eu tive um flash: não. Os outros não vão estar sempre ali.

Entendi que tinha que servir aqueles ao meu redor enquanto eu podia. Não posso contar com a permanência das pessoas na minha vida e hoje posso servi-las com algo tão precioso e tão escasso por aí: tempo. Poder sentar e dar atenção para as pessoas é raro e necessário.

Essa semana, eu deitei exausta. O dia tinha tido uma demanda atrás da outra, e quando eu fui ver minha agenda do dia seguinte, ia ser mais lotado ainda. Me lamentei para o Pedro, “Eu não consigo fazer nada que eu quero…não consigo ler meus livros do jeito que gostaria! Meu dia é sempre cheio das necessidades dos outros…”

Eu bem que poderia. Eu e o Pedro concordamos, antes de casar, que eu não trabalharia fora. Então eu poderia cuidar da casa e ler todos os livros que eu quisesse, fazer aula de francês, pós, todos os artesanatos que eu achasse no Pinterest.

Mas aí eu lembrei: os outros não vão estar sempre ali.

No dia seguinte, fui ler a Palavra e me deparei com Mateus 25:

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mt 25:34-40)

Vivi o dia grata. Grata por poder acolher, receber, alimentar, aconselhar, ensinar, e me dar. Porque meu dia poderia ser cheio de mim…mas que privilégio ele ser cheio de Jesus!

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