a criança é uma pessoa

Esse texto faz parte de uma série sobre a filosofia de ensino de Charlotte Mason. Cada mês, postarei um resumo de um capítulo do livro “When Children Love to Learn: A Practical Application of Charlotte Mason’s Philosophy for Today”. O capítulo de hoje foi escrito por Jack Beckman.


“Essa primeira colocação da filosofia educacional de Charlotte Mason pode parecer uma mera constatação do óbvio. Mas não se trata de um pequeno elemento de uma grande verdade. É uma verdade central, completa em si mesma, e se a ignoramos, podemos ter tristezas e negligências como resultado. Tente um simples experimento. Pegue uma criança pequena e a coloque no seu joelho. Respeite-a. Não a veja como algo que precisa ser consertado, formado ou moldado. Este é um indivíduo que pensa, age e sente. Ele é um ser humano individual, que tem sua força em quem é e não em quem será. Se suas escolhas, tanto no presente quanto no futuro, serão boas, essa pessoa precisa entender a realidade e enxergar a estrutura da verdade. (…) Ouvimos de muitos na nossa geração que esta pequena criança é uma peça, uma posse, ou equivalente a um animal. Devemos responder: não. Você está segurando uma pessoa e isso é maravilhoso.” (p. 51)
 
A forma como enxergamos a criança irá influenciar completamente a forma como abordamos sua educação, tanto de forma direta quanto indireta. “Quem é este aprendiz e qual o seu relacionamento com o conhecimento e o aprendizado? Ele é basicamente bom, ruim (ou ambos)? Passivo ou ativo em seu aprendizado? Ele é capaz de escolha ou sua vida já foi toda determinada? É motivado pelo seu interior ou exterior? Uma ‘tabula rasa’ ou tendo um potencial ainda não alcançado? Estas perguntas são respondidas todo dia, em toda sala de aula, toda creche, toda quadra de basquete – são respondidas pela forma que crianças são vistas e tratadas por adultos.” (p. 57)
A filosofia CM responde essas perguntas embasada na Bíblia: crianças são pessoas, feitas na imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26) e como tais, tem valor inestimável, dons, potencial e um reflexo natural de alguns atributos de Deus. No entanto, carregam em si outra realidade espiritual: a realidade da queda e do pecado. (Rm 5:12-21) A realidade do ser humano como sendo reflexo de Deus e corrompido pelo pecado está presente em toda a narrativa de sua vida, desde sua infância (Gn 8:21, Pv 4:23, Rm 1:18-32) “A srta. Mason, de forma prática e realista, descreve crianças como as observamos em casa, na escola, no parquinho. Vemos claramente aspectos do pecado como ira, obstinação e egoísmo demonstrados vez ou outra, mas também vemos misericórdia, paciência e perdão. Nosso papel como pais e educadores é refletir o modelo do nosso Senhor Jesus em nosso relacionamento com os nossos pequenos – caminhar lado a lado e os incentivar a abandonar a ignorância e o pecado e ir por um caminho melhor.” (p. 59)
Sobre si, a criança deve aprender quatro conceitos: “eu sou” (o conhecer a si mesmo), “eu devo” (o juízo moral que habita em nós e reina sobre nós), “eu posso” (a consciência do potencial de realizar o que devemos), e “eu vou” (a capacidade prática de realizar aquilo que se entende necessário).
Uma forma prática de ensinar a criança é através de uma pequena frase: “Eu sou de Deus, eu devo fazer Sua vontade, eu posso fazer aquilo que Ele me diz, e pela graça de Deus, eu vou!”
Eu sou de Deus – quão libertador perceber a maravilha de pertencer a um relacionamento com seu Pai celeste!
Eu devo fazer Sua vontade – existe, na Palavra de Deus, um padrão ao qual a criança deve se submeter…mas não há só o padrão! Há perdão e aceitação também!
Eu posso fazer aquilo que Ele diz – através da presença real do Espírito Santo na vida da criança, a obediência se torna possível.
E pela graça de Deus, eu vou – é através da graça que somos salvos, e é pela graça que somos sustentados e preservados na nossa vida, fé, e caminhar com Deus. (p. 69)

“A ideia de que crianças nascem pessoas nos dá um foco valioso para nossa visão da natureza do aprendiz. O conceito não é arbitrário ou eclético. É de natureza espiritual e bíblica. Nossa cultura pós-moderna nos diz que a criança é um indivíduo, diferente de todos os outros, sem limites, com a vida estabelecida para sua realização pessoal. Seu ambiente e educação são pensados para “produzir” quem e o que ele será. Essa visão fragmentada nega a natureza holística do aprendiz em todos seus muitos aspectos, tendo tanto vasto potencial quanto reais limitações. Na verdade, o aspecto individual da criança é meramente uma parte de quem ele é, e não tudo.” (p. 60)

“Precisamos então entender um princípio importante: ‘A mente de uma criança é o instrumento de sua educação; sua educação não produzirá sua mente.’ A vida é contínua em seu progresso e aprendizado.” (p. 53)

Tendo em vista essa verdade fundamental, podemos olhar para quatro conceitos básicos da educação CM:

A educação é uma atmosfera
Nisto, entendemos que o lugar de aprendizado não consiste em um ambiente específico, mas na formação de condições propícias para o aprendizado. Essas condições levam em conta o valor que a educação tem em um lar e o reconhecimento de que a criança é feita na imagem e semelhança de Deus e deve se esperar dela que pense, aprenda e aja de acordo com essa verdade.

A educação é uma disciplina
A chave para se suplantar a fraqueza na formação de caráter é através da disciplina em hábitos formados de forma definitiva e significativa, tanto em mente quanto em corpo. De certa forma, a educação é em grande parte a formação de hábitos enquanto confiamos na graça divina.

A educação é vida
A mente de uma criança não é um saco para ser abarrotado de informação, mas um organismo que se alegra com ideias que vêm de todas área da vida; logo, a criança tem que ter um currículo abrangente que satisfaça seu apetite pelo conhecimento, tendo em mente quais matérias, intervalos e descansos são necessários na sua idade para produzir o crescimento máximo.

A educação é a ciência das relações
Como criatura, a criança tem relacionamentos naturais com várias coisas, pessoas e pensamentos; precisamos, então, dar a essa criança a oportunidade de crescer em seus relacionamentos com a natureza, o trabalho manual, a ciência, a arte, livros… (p. 67)

 

 

crédito da imagem

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