o simples não requer ensaio

Eu sou tia pela segunda vez. Achava impossível dividir o amor de tia que era só da Ana Luiza, mas nem precisei. Ele se multiplicou e quem me segue no instagram sabe que esses últimos dias tenho sido, como uma amiga colocou, “tia em tempo integral”.

Parte da delícia tem sido distrair a Ana Luiza, levá-la para cima e para baixo comigo, dar aquela “canseira” nela (enquanto o Mathias faz o mesmo com a mãe). Ontem, enquanto minha mãe ia no supermercado, eu e ela fomos caminhar pelo calçadão, acompanhadas pela Fifi.

Achamos um lugar na sombra, ela estacionou sua motoquinha, e nós sentamos na areia. Bom, nós duas sentamos… a Fifi ficou surtada correndo de um lado para o outro virando uma pinscher à milanesa. A Ana Luiza começou a explorar e decidimos brincar de caçar castanhas…ela ia procurando as “guín” (green) e trazia para mim. Depois contamos elas, e separamos entre grandes e pequenas. Foi espontâneo e leve, daquele jeitinho próprio da infância.

pookiecatch

Fiquei pensando em todas as atividades pedagógicas que já vi (e inclusive já fiz) para desenvolver o reconhecimento das cores. Alguns até com elementos da natureza, impressos em uma bela folha reciclada. Nada se compara às castanhas na areia da praia.

O natural se tornou algo estudado, cuidadosamente montado. A maquiagem com três camadas que tem como objetivo a aparência de “cara limpa”. As poses estudadas para parecerem que foram pensadas naquele momento. O cabelo todo trabalhado no babyliss e spray com a legenda, “I woke up like this” (“Eu acordei assim.“). A mesa toda composta, até com umas folhinhas jogadas em cima de forma que parece aleatória, mas que na verdade teve todo um olhar simétrico.

Como se a vida fosse simétrica.

Deus deu à vida uma beleza que está fora do nosso controle. Qual de nós, através do nosso cuidado meticuloso, consegue garantir que nossa vida vai ser a imagem da perfeição? Que nossa dieta vai dar certo? Que nosso filho vai aprender tudo que queremos quando queremos? Melhor simplesmente lançar sobre Ele toda nossa ansiedade e desfrutar de um cuidado que facilmente supera nossos maiores esforços.

A renovação da mente descrita em Romanos que nos possibilita a desfrutar da “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2) envolve “cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rm 12:3). Desejo que nossa vida espiritual, social, pessoal seja menos confeccionada e pensada por nós. Que nos guardemos de fazer as coisas para que os outros vejam. (Mt 6) E que tenhamos uma simplicidade própria daquele que Se entregou a um propósito sem pensar em si mesmo.

Existe uma simplicidade que nos livra de ter que controlar tudo, e esta é a simples obediência. Os momentos se tornam belos porque eles são recebidos com um coração grato, despretensioso. E assim, toda espontaneidade virá com um autêntico perfume de cuidado divino.

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