eu não escrevo sobre Jesus porque sou legal.

“você é uma benção!”
Chego a suar frio quando ouço isso. Minha mente rapidamente faz um flash de 30 segundos dos meus piores momentos (por ser rápido, só cabe os piores momentos da última semana). Eu dou um sorriso sem graça enquanto lá dentro estou sacudindo a pessoa e gritando: “VOCÊ NÃO TEM IDEIA DO QUE EU SOU!”
Minha jornada comigo mesma tem sido longa. Não cronologicamente falando, mas longa como aquela viagem de carro em que você está enjoada, não consegue achar posição confortável e simplesmente quer chegar logo. Quem está por aqui há um tempo sabe que a viagem nem sempre tem sido legal ou animadora. Aliás, longe disso. Falo sempre para o Pedro que a maior loucura do mundo foi ele casar comigo, porque se eu pudesse, me separaria de mim para sempre.

Mas pelo visto, eu estou presa. Quem me libertará desse corpo sujeito a morte?

*

Quando estava na terceira série, fiquei encantada pelo período colonial. Adorava imaginar como seria minha vida naquela época e escrevia no meu diário com base na minha imaginação. Um dia, parei e escrevi: “Decidi escrever como eu mesma. Já existe muita gente no mundo que finge ser o que não é.” Decidi ser eu mesma, e posso afirmar categoricamente que toda vez que eu decido isso, o que segue não presta.
Lá se foram mais de 10 anos documentando meus pensamentos e acontecimentos todo dia. Guardava cada um em uma caixa, e carregava todos em todas as mudanças. Periodicamente relia algumas coisas. Muitas das vezes para rir, outras para ver em que aspectos tinha crescido. Mas cada vez que lia, aquilo me fazia pensar em mim e enxergar: “Meu Deus…como eu consegui pensar isso? Como sou burra! Não evolui nada…
E aí em 2010, eu decidi ler o Homem Espiritual (de Watchman Nee). Na introdução, ele fala sobre o perigo da auto-análise: caminhar olhando para si e não para Cristo. É desanimador e improdutivo. E aí eu entendi.
Nesses 6 anos que se passaram, tenho tentado caminhar sem olhar para mim, mas tiveram períodos em que tive que parar para me deparar com a minha necessidade. E toda vez que olho para uma decisão que tomei, uma atitude que tive, uma resposta que dei com base em mim, me lembro de Paulo escrevendo: “Que proveito tivestes então? Apenas coisas de que agora vos envergonhais; pois o fim delas é morte.” (Rm 6:21)
Mas confesso, cada vez que ouço alguém me vincular a palavras como “sábia”, “benção”, “exemplo”, meus olhos se arrastam a mim mesma e me sinto hipócrita. Me sinto indigna dessas palavras que para mim são tão belas, tão almejadas, tão honrosas, tão além daquilo que consigo alcançar. Não posso passar muito tempo olhando para mim. Eu sempre me desanimo de continuar.
Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?” (Sl 121:1)
Manter meus olhos elevados, fixos em Cristo não é fruto da minha muita espiritualidade, da minha profunda sabedoria, de ter alcançado muita coisa. É fruto de uma necessidade desesperada. Se eu não agarrar isso com unhas e dentes, se eu sair do foco por alguns minutos, eu sei que eu vou apenas produzir algo do qual em breve terei vergonha.
Um “tio” meu muito sábio uma vez me disse que “perseverar é recomeçar, sempre”. Eu não queria. De todo o meu coração, daria tudo que há em mim para ter uma obra completa. Mas me encontro tendo que recomeçar sempre, que pedir perdão sempre, de suplicar aos que me rodeiam: “não desistam de mim, por favor!”
Sou infinitamente grata por ter irmãos que não desistem de mim. E ainda mais por ter um Senhor que jamais desistiu de mim. Mas hoje entendo que essas pessoas não deixaram de desistir de mim por algo de bom que eu tenho a oferecer. E quando entendi isso, eu finalmente pude desistir de seguir duas pessoas tão opostas e escolhi não a pessoa que sou, mas Aquele que quero ser.
De todo o meu coração imploro o teu favor; tem piedade de mim, segundo a tua palavra. Quando considero os meus caminhos, volto os meus pés para os teus testemunhos. Apresso-me sem detença a observar os teus mandamentos.” (Salmos 119:58-60)
Attempting to follow Him without denying the self is the root of all failures.” (W. Nee)
Eu canto pra Ti/ Sei onde estou/ Olhando pra mim posso saber/ Que nada sou
Eu grito pra Ti oh, Deus/ Vem me socorrer/ Olhando pra mim posso saber/ Que nada posso fazer
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