melhor que um plano de parto

Este texto é uma tradução. O original pode ser encontrado aqui.

Você teve uma cesariana? Que pena. Talvez você pode tentar um parto natural próxima vez. Eu tenho uma doula e um centro de partos incrível. Eu tive um parto na água totalmente natural lá no ano passado.

Eu estava em um chá de bebê quando ouvi esse diálogo. Várias mães estavam se reunindo em torno de uma mulher que estava embalando um recém-nascido sonolento com bochechas rosadas e cachos escuros.
A mãe balançou a cabeça, incerta, “é, eu acho que vou tentar ter um parto natural próxima vez.” Por trás de seus olhos cansados, vergonha, tristeza e insegurança.

Quando mães jovens se reúnem, o parto é um ponto de conexão natural. Essas conversas podem ser engraçadas, fascinantes, e ocasionalmente aterrorizantes. Eu realmente aprecio estas várias histórias de parto, em especial as de nascimento natural. Louvo a Deus por as histórias de nascimento naturais de muitas amigas minhas. Fico fascinada ao ouvi-las, ou lê-las, e fico feliz que elas foram capazes de dar à luz sem intervenção hospitalar, custos desnecessários e estresse. Eu sou grata a Deus que dá doulas e parteiras e clínicas de parto para ajudar as mulheres com o dar a luz.

Mas eu fico preocupada ao ouvir algumas mulheres evangelizando sobre o parto natural, e observo as mulheres feridas que não puderam experimentar o parto natural. Quantas vezes nós falamos sobre “o meu plano de parto”, e como é importante ter “um parto completamente natural.” Afinal, o nascimento é natural, não é? “Eu quero ter empoderamento durante a minha experiência de parto, e meu plano me ajuda a conseguir isso.”

Tal pensamento, porém, pode ser auto-indulgente e historicamente ignorante. O nascimento não é sobre a auto-realização. O parto natural não é mais uma coisa para botar na sua “lista de coisas que quero fazer”, junto com correr uma maratona. Ficar enfatizando demais o nascimento natural pode levar mães jovens a vê-lo como a única opção para as mães intencionais, e não dar valor a vida de suas amigas.

Minha vida “não-natural”

Estou viva por causa de quatro cesarianas. Eu nasci através de uma cesariana de emergência. Fiquei mais de 24 horas em um trabalho de parto sem sucesso com nossa primeira filha antes de sucumbir a uma cesariana quando minha frequência cardíaca caiu e minha febre subiu. Eu determinei que ia “tentar novamente” ter um parto mais natural, e nossa segunda filha também chegou via cesariana depois de quase 24 horas de trabalho de parto improdutivo. A nossa terceira filha nasceu através de uma cesariana planejada após uma gravidez de alto risco.

Sem a opção de uma cesariana, minha mãe, tias, primos, irmãos, três filhas, e eu estaríamos mortos. Assim como dezenas de amigos.

Cesarianas e outras intervenções médicas, são dádivas de Deus para preservar a vida. De acordo com o CDC (instituto americano de pesquisa na área de saúde), antes de começarem as intervenções médicas no início de 1900, “a falta de progresso” no parto muitas vezes significava uma morte dolorosa, tanto para o bebê quanto para a mãe. Em países sem acesso a atendimento médico, o parto ainda é a principal causa de morte entre as mulheres. Serra Leoa, o país mais perigoso para mulheres grávidas, tem uma taxa de mortalidade materna de 1.300 para cada 100.000 nascimentos. Nos Estados Unidos, a taxa é de 14 para cada 100.000.

O plano de parto de Deus

O parto é uma das muitas oportunidades de aprender que “o coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” (Provérbios 16: 9). Deus é soberano sobre a vida dos nossos filhos, e nós não somos. Oh, como isso é difícil para mim para aprender! Planos de parto são realmente ferramentas úteis, mas temos que segurá-los sem muito apego, assim como todos os nossos planos para nossos filhos.

Depois de termos perdido um bebê, o Salmo 139 me consolou profundamente, especialmente os versículos 13-16. Mas então percebi o fim do versículo 16: “no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.” Deus planejou todos os dias da vida de nossos filhos antes deles serem concebidos. Certamente Ele tem um plano de parto mais sábio do que o nosso.

O nascimento da minha primeira filha foi traumático. Ela estava estressada de tanto tentar nascer e não conseguir. Eu estava debaixo do estresse de uma cesariana traumática emergencial. Eu não pude vê-la ou abraçá-la durante as primeiras horas de sua vida. Ela foi criar um laço forte com seu pai enquanto eu lutava para ficar bem. Nada disso era o meu plano. Grande parte de suas lutas durante a primeira infância me frustraram. Eu poderia facilmente atribuí-los a nossa “falta de ligação” ou um “trauma no nascimento.”

Mas Deus está misericordiosamente me ensinando que Ele é soberano sobre a vida da minha filha. Ele escolheu direcionar as circunstâncias de seu nascimento, mesmo as mais difíceis. Seus olhos viram a sua “substância ainda informe”, enquanto ela crescia em mim, e Ele tem um plano melhor para ela do que eu, com todos os meus livros, opiniões e sistemas.

Pais impotentes

Não temos controle total sobre a vida de nossos filhos. Não podemos forçar nossos filhos a mamar, dormir, serem saudáveis, ou amar e confiar em Deus. A gravidez e o parto não são exercícios de auto-expressão, mas em vez disso são algumas das primeiras oportunidades para confiar em Deus na criação dos filhos.

Quando esquecemos que Deus está no controle, e que nós não, a comparação pode tornar-se um jogo mortal entre as mães. E a gravidez e o parto são áreas férteis para comparação. Quem engravidou primeiro? Quem teve um menino? Uma menina? Gêmeos? Quem ganhou mais ou menos peso? Quem completou todas as semanas ou teve um bebê prematuro? Quem ficou em trabalho de parto mais tempo? Quem tomou anestesia? Quem fez tudo natural? Quem teve uma cesariana? Planejada ou de emergência?

Estes são tópicos fascinantes de conversa, mas assim que transformamos em um jogo de comparação, estamos perdendo de vista o que é importante aqui: Nós dois acabamos de receber um grande presente de Deus – uma criança recém-nascida. Nós duas deveríamos estar nos alegrando, uma pela outra.

Deus sabe o que você precisa

A tentação de comparar não pára quando passamos pelas portas do hospital. Ela continua através de posts em redes sociais e conversas nos berçários. Qual bebê está dormindo por mais tempo? Quem amamenta bem, ou não amamenta? Quem engatinhou primeiro? Quem fala primeiro? Quem joga bem no time de futebol? Quem lê primeiro? Quem está fazendo homeschool? Quem está na escola particular? Estas comparações podem revelar os ídolos em nossos corações: controle, amor próprio, ingratidão.

Deus nos ama demais para permitir que continuemos adorando nossos ídolos íntimos. Ele conhece nossos corações e exatamente o que vai chamar-nos para mais perto dele – fraqueza e dependência ou louvor de gratidão. Ele é um Pai gentil e cheio de graça que nos ama demais para nos deixar continuar seguindo o caminho difícil da autossuficiência ou controle. Ele envia o seu Espírito Santo para suavemente convencer-nos do pecado e virar-nos para a nossa maior necessidade: a necessidade dEle. Dar a luz é apenas mais uma ferramenta que Ele pode escolher para conseguir isso.

Então, como você deve responder a próxima vez que uma amiga sua tenha uma cesariana? Alegre-se com ela no dom da vida! Console-a em sua insegurança e corpo dolorido. Louve a Deus com ela porque Ele preservou sua vida através da cirurgia. E leve comida para ela.

E ao contemplar seus próprios planos para o parto, lembre-se que Deus ama você e seu filho e sabe o que você e ele mais precisam. Através da sua graça, confie que Ele tem planejado a cada um dos dias do seu filho e que Ele está trabalhando para o seu bem.

Os planos dEle para você são melhores que os seus, e Ele fará com que eles aconteçam.

créditos de imagem

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