a servidão que não queremos

ah, o grande atrativo da pós-modernidade: você pode ser o que você quiser! tem total liberdade e autonomia para escolher, e tem um leque infinito de possibilidades! molde sua aparência, sua imagem pública, seus hobbies, suas aptidões… use as redes sociais para mostrar para todo mundo o quanto você é bonita, cult, rebelde, gospel, viajante, livre, caridosa… o que você quiser.
e então, com essa possibilidade de se ser o que se quiser, passamos dias nos cultivando. lemos blogs escritos por especialistas em como você deve se vestir, comer, criar seu filho, passar as férias. lemos livros. vemos videos. ouvimos reportagens. e isso é normal. todo mundo faz.
outro dia, fui ler o sermão do monte e percebi que Jesus diz algo que nunca tinha parado para pensar:
“Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram.” (Mateus 6:31,32)
vivemos ansiosos para sabermos o que devemos comer, beber, vestir, viver. não é apenas uma questão de provisão. existe o anseio pelo padrão. essas coisas todos procuram. mas e a liberdade de ser o que você quiser, comer o que você quiser, vestir o que você quiser?
“Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção.” (2 Pedro 2:19)
no seu “período” “cristão” (aspas infinitas), bob dylan escreveu uma música que dizia “you’re gonna have to serve somebody” (você terá que servir alguém). john lennon fez uma canção em resposta com o título “serve yourself” (sirva a si mesmo).
o que john lennon não percebeu é que ele não refutou o que o bob dylan disse. servir a si mesmo é uma servidão do mesmo jeito. e que mestres maravilhosos somos, não?
“Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte.” (Romanos 6:20,21)
a primeira vez que li esse texto e parei para pensar nele, me perguntei por que por diversas vezes me apeguei tanto a liberdade de fazer o que eu queria? que frutos tive, senão as coisas das quais me envergonho? atropelei quem estava no meu caminho, machuquei aqueles que me amavam, andava sempre procurando algo para aliviar minha mente que parecia nunca parar…
“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” – Romanos 6:4
porque não queremos andar em novidade de vida? porque queremos nos sujeitar a um velho padrão e ainda tentar inseri-lo no nosso novo contexto? retiramos do evangelho o seu poder, sua eficácia. eu fui a Jesus com a consciência de que não queria mais governar minha vida, e ele me disse que seria impossível viver fazendo a minha vontade e ser dEle. não diga ao contrário. não viva o contrário.
olhai os lírios do campo: eles não se esforçam para ser belos, desejados, legais, saudáveis, invejáveis, corretos. “E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.” (Mateus 6:29)
quero andar em novidade de vida, não tendo meus sentidos corrompidos pelo mundo e me apartando da simplicidade que há em Cristo (2 Co 11:3). essa simplicidade é linda. comemos o que temos, vestimos o que podemos e vivemos a vida sem precisar nos adequar aos nossos próprios padrões. quero ser, na totalidade do meu ser, verdadeiramente livre.
You’ve given my soul the space to breathe
And discover what it is to simply be
Oh, Christ has set me free
From negativity, from impossibility…
I am free indeed.”
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