minha frágil felicidade

ao longo da vida, conheci muitas pessoas inabaláveis, sempre otimistas, capazes de manter um olhar positivo e um sorriso no rosto nas mais difíceis situações. digo, conheci outras pessoas. essa pessoa nunca foi eu. achava tão admirável e tentava imitar esse comportamento, até perceber que os gestos eram resultados de um interior que eu não possuía, e por isso, por mais que tentasse nunca conseguia reproduzir o resultado com precisão.
me sentia então, pior ainda. lia sobre me alegrar em tempos difíceis e me sentia incapaz de não ficar triste e aquilo me deixava mais triste ainda. a melancolia era inevitável; se estava feliz, chorava. se estava triste, chorava.
então, um dia no início de 2012 decidi ler salmos inteiro (porque ouvi em uma palavra que era uma forma excelente de conhecer Deus). confesso que muitas vezes lia e pensava, “meu Pai, que homem dramático, Deus me livre!” ele sentia demais, lamentava demais, sofria demais… quando estava feliz, exagerava demais, celebrava demais!
mas aí tive uma luz: ele era como eu!
quase 4 anos depois, percebi do que paulo falava quando dizia que queria poupar todos das tribulações da carne presentes no casamento. é inevitável: tudo fica exposto, escancarado, intensificado. quando casei pensava que não seria nada além do que já conhecia. já estava acostumada com um relacionamento muito íntimo e forte e ninguém nunca conseguiria me conhecer e me enxergar mais claramente que minha mãe.
aí casei. percebi que meus defeitos eram piores do que imaginava, e que minhas qualidades nem eram tão nobres assim. o dia estava bem, lindo, tranquilo até que algo (normalmente um erro meu) acordasse minha velha melancolia e logo vinha a onda de pensamentos: “eu não estou apta para isso”, “eu sou a pior esposa do mundo”, “e agora? o que que eu faço? isso aqui não tem saída”, “não vejo como melhorar depois disso”, “23 anos tentando e aqui estou eu de novo…”
olhando isso, fico impressionada com pessoas que vivem a vida buscando a própria felicidade – como conseguem? ela é tão frágil, tão volátil, tão facilmente arrancada de nossas mãos. nessas horas, tom canta na minha cabeça: “tristeza não tem fim, felicidade sim…”
mas com meu amigo davi, que apesar de nunca ter me conhecido, parece me conhecer como ninguém, aprendi a chave:
“As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus? Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava. Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte.” (Salmos 42:3-6)
na sétima série, li que após sua morte, pegaram algumas cartas pessoais de Maria Teresa e publicaram. o conteúdo chocou algumas pessoas: algumas vezes, ela relatava lutar com incredulidade. mas como, alguém que realizou tanto em nome daquilo, não cria 100% do tempo?
confesso que as vezes olho para mim mesma, para o meu estado, quando estou nos meus vales da tristeza e me pergunto: onde está o teu Deus? 
caminhei tanto tempo crendo que a fé era um sentimento que me impulsionaria, me abasteceria ao longo da vida, e que ela anularia todos os outros sentimentos… mas através de davi percebi que a fé era uma escolha, uma certeza, uma opção. que crer é apesar de si, apesar dos outros, apesar de tudo. e então hoje, quando estou assim, espero. espero porque me lembro que Ele também, apesar de mim, dos outros e de tudo, sempre me resgatou na hora que precisava.
e logo vem a alegria de ter um Deus que não quer que eu reprima minh’alma e sim que eu derrame-a com Ele. e assim tenho aprendido a viver meus momentos de tristeza. não quero mascará-los, ou sufocá-los por que o mundo me diz que tenho que ser constantemente feliz. mas me derramando, esperando, lembrando, crendo.
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