porque o mundo perguntaria sobre a sua esperança?

Esse texto foi originalmente publicado em inglês. O original pode ser encontrado aqui.

Porque em 1 Pedro 3:15 o mundo questiona o cristão acerca de sua esperança?

Pedro nos diz: “estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15) Ele não diz que eles vão perguntar sobre a nossa fé. Ou sobre a nossa doutrina. Ou até mesmo sobre a nossa boa conduta. Eles podem perguntar essas coisas. Queremos que eles perguntem. Mas Pedro está esperando que eles vão perguntar sobre a nossa esperança. Por quê?

Antes de vermos a resposta em 1 Pedro, vamos definir o que é esperança.

A esperança é uma convicção sincera e alegre que o nosso futuro a curto prazo é governado por um Deus todo-cuidadoso, e nosso futuro a longo prazo, além da morte, vai ser mais feliz que conseguimos imaginar na presença da glória totalmente satisfatória de Deus. Esta definição será evidente na primeira parte da nossa resposta.

Porque o mundo perguntaria sobre a esperança cristã? A resposta tem 3 partes.

  1. A esperança viva, vibrante, inabalável e comprada pelo sangue é o mover que define o coração nascido de novo, ou seja, o coração cristão.

Pedro começa sua carta nesse tom: “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (1 Pedro 1:3). Nascer de novo é estar vivo em esperança.

A esperança não é um acréscimo à experiência cristã. Faz parte das primícias. As coisas essenciais. É um componente vital da fé salvadora, porque parte do que acreditamos se relaciona com o nosso futuro. É impossível ser um cristão e continuar a acreditar que sua eternidade será sombria. Essa fé é o “firme fundamento das coisas que se esperam,” e tal fé crê que “Deus é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:1, 6).

Portanto, Pedro é incansável em sua carta ao incentivar os exilados do império que sofriam a reavivar a chama de sua esperança até que chegue a plenitude.

O primeiro imperativo em sua carta é o imperativo do verbo “espera”, modificado pelo advérbio “inteiramente”. “esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:13). A segunda vinda de Jesus em glória é a esperança sincera do coração do discípulo.

Pedro tinha experimentado a glória com Jesus no Monte da Transfiguração, e ele sabia que era uma prévia da segunda vinda: “mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pedro 1:16). Ele sabia que seria um “participante da glória que se há de revelar” (1 Pedro 5:1).

Então, ele era apaixonado por despertar essa esperança plenamente nos santos sitiados e espalhados pelo império. Ele prometeu aos anciãos entre eles, “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” (1 Pedro 5:4)

E ele explicou aos santos que estão sofrendo que o propósito de Deus através de suas tribulações é “que a prova da vossa fé, (…) se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;” (1 Pedro 1: 7). Calúnias serão substituídas por louvor, dor por glória, vergonha por honra.

Ele os anima a se apegarem a essa esperança durante essa curta vida, porque em breve, tudo será glória: “E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça.” (1 Pedro 5:10)

Esta esperança é absolutamente certa, porque ela foi comprada por um resgate que não é perecível ou barato, mas eterno e infinitamente precioso: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados (…) mas com o precioso sangue de Cristo…” (1 Pedro 1:18,19).

Pedro anima os discípulos, que têm sua esperança comprada com sangue, a fazerem o que é humanamente impossível: “alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.” (1 Pedro 4:13)

E enquanto esse dia não chega, temos confiança diária acerca do cuidado presente de Deus: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5:7) Ele cuida agora. Ele cuidará do amanhã. E cuidará para sempre.

Portanto, a primeira parte do por quê perguntam acerca da nossa esperança é que a esperança viva, vibrante, inabalável e comprada pelo sangue é o mover que define o coração cristão. A segunda parte da resposta é:

  1. A esperança cristã autêntica dá origem a coragem alegre frente aos problemas e ameaças humanas.

Esse é o contexto imediato de 1 Pedro 3:15 quando Pedro diz que devemos estar prontos a responder acerca do motivo de nossa esperança. Vamos começar no versículo 14:

“Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;
Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”
(1 Pedro 3:14,15)

Parece que a pergunta sobre a esperança dos cristãos é feita quando percebem que não tememos. Na mente de Pedro isso faz todo o sentido. A esperança é a raiz do destemor.

É possível ver isso na forma que Pedro fala para as esposas se relacionarem com seus maridos incrédulos. “Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos;
Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto.” (1 Pedro 3:5,6). Esperança em Deus forma mulheres destemidas. E homens também.

Esperança não é diretamente visível. É uma convicção de coração. Apenas Deus pode ver o coração diretamente. Mas quando a esperança elimina todo o medo, ela se torna mais visível. Quando destemor te faz livre para “alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo” (1 Pedro 4:13), sua forma de viver se torna tão improvável que as pessoas podem começar a querer te fazer algumas perguntas.

E Pedro diz que o que eles perguntam sobre é a sua esperança. O que mostra que, em sua mente, a vida cristã dá a impressão para os outros que nós não estamos esperando no que eles estão esperando (segurança, conforto, aprovação, riqueza, etc). Eles não sabem da onde a nossa coragem e nossa alegria em aflição são provenientes. Mas eles deduzem que temos uma esperança diferente da deles. Eles não deduzem que somos indiferentes a um futuro feliz. Eles simplesmente não sabem o que é.

Então a pergunta acerca da nossa esperança vem do fato de a) que a esperança viva, vibrante, inabalável e comprada pelo sangue é o mover que define o coração cristão, b) a esperança cristã autêntica dá vazão a uma coragem alegre frente as tribulações humanas e, por último:

  1. Essa esperança destemida no Deus de “grande misericórdia” (1 Pedro 1: 3) e “toda a graça” (1 Pedro 5:10) produz uma vida que transborda boas ações que mesmo o mundo incrédulo muitas vezes encontra irresistivelmente atraente.

Se algo disputa o foco central com o sopro de esperança na carta de Pedro, é o vento de boas ações. Estas boas ações não simplesmente se referem a uma moralidade cristã que evita maus comportamentos – embora Pedro trate isso como essencial: “Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias… Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;” (1 Pedro 4:3, 15).

Pouquíssimas pessoas são profundamente impressionadas com um estilo de vida que só evita maus comportamentos. Isto é elementar. Mas Pedro ensina que a esperança cristã dá origem a um transbordar de boas ações que vai muito além de evitar más ações. O Deus que nos deu esperança fê-lo por “grande misericórdia” e “toda a graça”. Portanto, a carta de Pedro está repleta de boas ações para pessoas que não merecem – até mesmo as próprias pessoas que estão nos machucando.

“Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção.” (1 Pedro 3:9). A medida que abençoamos aqueles que nos amaldiçoam, é possível, Pedro diz, fazê-lo com alegria: “alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo” (1 Pedro 4:13).

Esse comportamento radicalmente contrário a nossa natureza é possível através da nossa esperança – especificamente uma esperança em um Cristo que “padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pedro 3:18). Ele nos trouxe nossa esperança e nos demonstrou seus frutos.

Pagar o mal com bem é possível através da esperança. “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus;” (1 Pedro 4:14). E este Espírito está conosco, para nos consolar e nos assegurar da glória vindoura.

Não é apenas a alegria que sobrevive e floresce através do mau-trato alheio. Assim também são as boas obras. “Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.” (1 Pedro 2:20). “Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem” (1 Pedro 4:19).

Esse gol triplo das boas obras é para silenciar a ignorância, envergonhar os que falam mal, e converter os incrédulos.

  • Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos. (1 Pedro 2:15)
  • Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. (1 Pedro 3:16)
  • Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. (1 Pedro 2:12)

Em outras palavras, assim como Deus designa, existem boas obras que até mesmo o mundo tem que reconhecer que são impressionantes. Quando essas boas obras atingem aqueles que nos prejudicam, elas se tornam ainda mais impactantes. E quando são realizadas com alegria, são praticamente irresistíveis. Alguém irá perguntar: qual é a sua esperança?

Portanto, discípulos não são casuais com suas boas obras, mas são  “seguidores do bem” (1 Pedro 3:13). Por isso disse que a esperança em Cristo produz uma vida transbordando em boas obras.

Ore para que te perguntem

A questão para a igreja hoje é: Será que o mundo pergunta? Se não, por que não? Pedro não disse quantas vezes isso iria acontecer. Ele diz para estarmos prontos quando acontecer. Certamente o Espírito de Deus cria estações na história em que o povo de Deus é mais esperançoso, mais destemido, e mais misericordioso – e o mundo está mais atento e mais disposto, pela graça de Deus, a ver a realidade.

Oremos para que chegue esta estação. Mas você não precisa esperar mudanças grandiosas na igreja e no mundo. Há esperança para ser desfrutada, medo a ser derrotado, e boas obras a serem feitas – hoje.

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