sim, você errou.

hoje, voltando do trabalho, estava passando pela minha timeline e parei para ler uma das histórias da página “Humans of New York”. nela, um homem (que deveria ter lá seus 30, 40 anos) conta que ele morava em um ótimo apartamento, bem localizado e com um ótimo preço mas que decidiu que iria se mudar para um lugar desconhecido. todos os seus amigos o disseram que ele iria se arrepender e que era um erro. conclusão: ele se arrependeu, voltou para NY e agora só tinha como alugar um quartinho.
nos comentários, um retrato da nossa geração:
“não foi um erro! você se arriscou – parabéns!”
“pelo menos você teve coragem de ir atrás do que queria!”
“que experiência de vida maravilhosa!”
não vou entrar em uma busca sociológica, histórica, filosófica de quando nos tornamos assim, incapazes de assumir que erramos. mas que patético somos quando decidimos que não existem erros.
sim, você ERROU. pode ter aprendido, pode ter crescido, pode ter evoluído, mudado, o que for… não muda o fato de que errou! se não conseguimos admitir nossos próprios erros e nem sequer que existem erros, com que autoridade dizemos: arrependei-vos?
vi todos os comentários e sorri me lembrando do meu aluno de 5 anos que, mais cedo, estava escrevendo e confundiu o G com 6…ele olhou para mim e disse: “tia, errei!” a solução não é dizer, “não foi um erro…foi uma experiência!!!” “quem disse que isso é um erro? quem estabeleceu que o G não é um 6?” “não é erro querido, é desvio da norma culta”. simplesmente sorri e disse, “ahhh sim. não tem problema amor, tá aqui a borracha.”
não podemos ser fatalistas quanto aos nossos erros e nem adicionar carga ao erro alheio. mas que humanidade fraca formamos quando dizemos as pessoas que não existem erros, que não existem pecados. preferimos não encarar a dura realidade do mundo: nós erramos, constantemente. nos acovardamos e nos escondemos, atrás das nossas folhas de figueiras: subjetividade, interpretação, etc. somos a geração que redefine o que é certo baseado no que queremos – e quão originais somos, não? (não. “O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos” [pv 12:15] somos insensatos. é diferente.)
não vamos fazer isso. onde não há erros, não há necessidade de perdão. e nós temos, desesperadamente, necessidade de perdão.
sempre precisando de perdão,
suzana lordelo braga
“Forgiveness is the key to action and freedom.” (Hannah Arendt)
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