o valor que nós nos damos

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Há algumas semanas atrás, carregava uma das dezenas de caixas da minha mudança. Quando fui abrir para decidir onde colocaria seu conteúdo, vi centenas de recortes de várias épocas da minha vida: bilhetes, fotos, ingressos… entre eles, um me chamou atenção.

Era um recorte de jornal, com o título “Mulheres dominam no Vest Ufes”, um artigo sobre como as alunas foram bem, e entre o classificados estava lá meu nome completo, minha pontuação, e que eu tinha passado em quinto lugar. Naquela hora, lembrei dos meses de agonia me perguntando se eu tinha passado. Lembrei da correria para ver o resultado. Lembrei da enorme felicidade, sensação de conquista e de abrir uma garrafa de champagne.

Olhei aquele recorte e constatei: aquilo não diz absolutamente nada sobre mim. Certamente para os outros, diz muito. Sobre quem eu sou, o que eu alcancei, minha inteligência, esforço, etc. Na época, para mim, aquilo definiu parte de quem eu era. Mas hoje, olhando para trás, vejo que nada daquilo fez diferença. Meus trabalhos elogiados não me mudaram. Meu 10 no TCC não me alterou.

Passei pela faculdade e a escolha profissional que eu fiz (ser dona-de-casa) foi a de menor valor possível. Uma escolha “decepcionante” de quem não tem opção, inteligência, dignidade. Possuo todas as características, mas no auge dos meus 23 anos recém-completados, descobri algo: o valor que atribuem a mim não é o meu valor.

Minha aparência, minha fé, meu humor, minha renda, minha roupa, minhas conquistas… cada um olha e atribui a mim um valor. Não culpo as pessoas. Classificar é humano, julgar mais ainda. Me parece que quanto mais o tempo passa, mais estamos diante de um tribunal em forma de sociedade. Mas quando eu olhei para trás e vi que meus grandes méritos não me formaram como pessoa, e que não deveriam, senti um alívio- quem eu sou e o meu valor verdadeiro não depende de mim.

Joguei o recorte fora. Ele não tem a menor importância.

“Pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano; de fato, nem eu julgo a mim mesmo. Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga.”  (1 Coríntios 4:3,4)

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